Curso Amazonia Viva – módulo 1

Colaboração do SPA e WWF.

Carlos Nobre, co-presidente do Painel Científico para a Amazônia

Introdução ao Curso

Vídeo com Carlos Nobre: SDGAcademyX

Objetivos:

  • O estudantes saberá descrever por que a Amazônia é relevante para suas vidas
  • Descrever as principais característcas da Amazônia que a tornam única
  • Diferenciar entre a bacia Amazônica e seus diversos biomas
  • Definir a crise que a Amazônia está enfrentando
  • Definir um ponto de não retorno e o que isso significa no contexto da Amazônia
  • Pensar em possíveis soluções para a Amazônia

O que é a Amazônia?

https://courses.edx.org/videos/block-v1:SDGAcademyX+AMZN001+1T2024+type@video+block@1859379f73d5434bb7398a7ede31d6d2

História geológica única de interação de placas tectônicas, clima, topografia dinamica e mudanças no nível do mar.

  • Andes, há 40 milhoes de anos
    • mudanças na drenagem da bacia amazônica
  • O maior sistema fluvial do mundo, 40% da América do Sul
  • Mais de 50 ecossistemas aquáticos e terrestres conectados

13% da biodiversidade global

Insubstituível, apresentando espécies com distribuição geográfica altamente localizada ou restritiva:

  • 34% dos mamíferos endemicas
  • 20% das aves endemicas

Distribuídos de forma heterôgenea no bioma

  • a maior diversidade de árvores ocorre no Noroeste e Centro da Amazônia, onde um ha pode abrigar mais de 300 espécies de árvores

A bacia do rio Amazonas é um dos elementos mais importantes do sistema climático da terra

  • 5 milhoes de km2
  • florestas agem como um ar condicionado
  • exerce forte influencia sobre a atmosfera e padrões de circulacao dentro e fora dos trópicos
  • água e segurança alimentar em todo continente
  • papel nos ciclo biogeoquímicos

Os ecossistemas intactos armazenam grande quantidade de carbono abaixo e acima do solo

  • 150-200 bilhões de tons
  • 6-8% das emissoes globais de metano

Alta produtividade facilitada pela reciclagem eficiente

Compostos Orgânicos Voláteis emitidos pela floresta

  • emitidos pela floresta
  • apresentam alta pressão à temperatura ambiente
  • aerossóis orgânicos primários e secundários
  • afetam condensação de nuvens e chuvas

Sumidouro de carbono está enfraquecendo com o tempo, devido ao aumento da duração da estação seca

Ponto de não retorno (tipping-point)

  • pode comprometer o bioma

Grupos socioculturais

  • começou ha pelo menos 12 mil anos
  • 47 milhoes de pessoas na pan-Amazonia, com comunidades indígenas, quilombolas, ribeirinhos

Perguntas

Por que é urgente proteger a Amazônia?

Esta palestra apresenta um resumo dos muitos serviços ecossistêmicos fornecidos pela Amazônia e como perturbá-los afeta toda a humanidade. Aprenda como o desmatamento na Amazônia leva à escassez de água além da bacia, impactando a produção agrícola em outras regiões da América do Sul, e como as emissões de gases de efeito estufa provenientes do desmatamento e da degradação podem impedir o mundo de permanecer abaixo de 1,5°C, nos aproximando de cruzar um ponto de virada. Comece a descobrir como a aceleração da perda de biodiversidade também ameaça povos indígenas e comunidades locais, um tópico que será expandido em módulos subsequentes.

https://courses.edx.org/videos/block-v1:SDGAcademyX+AMZN001+1T2024+type@video+block@781db1a335f3497a9fb36a999fa82f13

Serviços ecossistêmicos

  • interrupção afeta toda a humanidade
  • interrupção afeta a própria manutenção da floresta e sua biodiversidade

Como o desmatamento poderá impactar:

a) a provisão de água

b) a produção de chuva para além da bacia.

  • impactará a produção agrícola

Como as emissões de gás de efeito estufa (provenientes do desmatamento e degradação) podem impedir que o mundo mantenha-se abaixo de 1,5 oC.

Perto de um ponto de não retorno

  • impactos irreversíveis sobre o clima e saúde da população
  • acelaração da perda de biodiversiade
  • ameaças às comunidades indígenas

População Pan-Amazônia: 47 milhoes de pessoas, 70% urbanas

Exploração em larga escala

A partir da metade XVII e se expandiu durante o auge da borracha. Desde a partir da década de 70, aumento no processo de colonização e programas nacionais de expansão agrícola, impulsionados por demandas nacionais e internacionais. Atualmente, a Amazônia é um importante fornecedor de matérias primas:

  • Brasil: carne bovina, soja, minério de Ferro, ouro, madeira
    • apropriação em larga escala de cerca de 13 milhões de hectares de terras públicas
    • mudança estrutural no uso da Terra – desmatamento entre 1995-2017 de 21 milhões de hectares de terras públicas
  • Bolívia: carne bovina, soja e gás
  • Peru: Petróleo, ouro, gás, madeira
  • Equador: Petróleo
  • Colômbia: madeira
  • Venezuela:
  • Suriname: ouro

Desmatamento

Quase 870.000Km quadrados foram desmatados até 2018, equivalente a 14% da área original. Na pan-amazonia esse percentual é maior, 18% convertidos para outros usos da terra. Em termos relativos, o Brasil perdeu 21% e o Equador 13%.

  • impulsionado por:
    • expansão agrícola incluindo pastagens
    • mineração: 45 mil concessões (22 mil sobrepoem áreas protegidas e terras indígenas)
      • principal fator de perda de florestas na Guiana Francesa, Guiana, Suriname e Peru
    • desenvolvimento de infraestrurua
      • urbanização
      • construção de estradas, ferrovias, hidrovias e represas hidroelétricas de grande porte

Degradação por distúrbios antropogênicos:

  • incêndios florestais: maior efeito sobre a perda de carbono
    • estimatima-se que contribuem com emissões brutas cumulativas de carbono de 126 toneladas de CO2 por hectare por 30 anos após o incêndio (média anual de 4,2 tons de CO2)
    • fonte significativa de material particulado e outros poluentes, degrando a qualidade do ar e afetando a saúde
      • Na Amazônia brasileira, cerca de 150.000 pessoas por ano são afetadas por doenças pulmonares e cardiovasculares devido à poluição causada pelo fogo.
  • extração seletiva ilegal de madeira
  • efeitos de borda
  • caça

Quase 366,000Km quadrados foram degradados entre 1995-2017

  • Entre 1980 e 2010, a Amazônia perdeu 283 milhões de toneladas de carbono por ano, com a emissão de mais de 1 bilhão de toneladas de CO2
  • impactos ecológicos diretos e indiretos
    • relevancia local (perda de biodiversidade), regional (redução de chuva e transporte de umidade para a Bacia do Rio da Prata, Pantanal e Andes) e global

Mudanças climáticas + desmatamento = declínio de até 58% na riqueza de espécies de árvores até 2050.

  • em média 1oC mais quente desde 1978
  • estação seca 4-5 semanas mais longa no sul Amazonia
  • desde 1960, a temperatura atingiu dois picos: 2015/2016 (1,2 oC) e 2019/2020 (1,1 oC)
  • aquecimento futuro de mais de 4 oC (alguns cenários) pode induzir:
    • mudanças no ciclo hidrológico
    • mudanças no funcionamento da floresta
      • espécies podem perder uma média de 65% de seu habitat original
      • árvores tolerantes à seca estão se regenerando de forma mais abundante
      • mortalidade de gêneros associados a ambientes úmidos
  • pode atingir um aumento de 6 oC na segunda metade do século

Aumento de risco e da incidência de doenças infecciosas emergentes e reemergentes

  • um aumento de 10% no desmatamento pode levar a um aumento de 3,3% na incidência de malária
  • Amazônia é um hotspot de diversidade de coronavírus com riscos ainda pouco conhecidos

Aumento de eventos climáticos extremos ⇝ afeta ecossistemas amazônicos e funcionamento

  • resiliência da floresta será reduzida devido às interações entre desmatamento, degradação e mudanças do clima
    • aumento de incendios
    • tipping point – mudanças críticas nos ecossistemas florestais
      • afinidades com clima de savana tropical
      • impedir esforços para controlar as emissões GEE
      • impactar a produtividade agrícula dentro e fora da Amazônia
      • exacerbar níveis de desigualdade e vulnerabilidade
      • diminuir diversidades culturais e biológicas
      • impulsionar um ciclo de reforço que prenderia o sistema em um estado socioecológico degradado, emissor de carbono e desigual.

Perguntas:

Ainda é possível salvar a Amazônia?

Esta palestra argumentará que a Amazônia é um sistema realmente complexo e diverso, e que não existe uma solução única que sirva para tudo. Em vez disso, existem um conjunto de soluções que podem ser replicadas e ampliadas para salvar e proteger a Amazônia. Os dois últimos módulos deste curso vão explorar algumas dessas soluções, incluindo a importância de áreas protegidas e territórios indígenas para a conservação, restauração florestal, uma bioeconomia baseada em florestas em pé e rios livres, e iniciativas de educação intercultural.

Atual caminho de exploração destruição

  • risco local, regional, global
  • mudança vem de visão viva, enraizada em valores, princípios e pressupostos culturais
    • nova ética:
      • relação da humanidade com a natureza que se aprimore mutuamente em todas as escalas
        • individual, comunitária, bacias hidrográficas, ecossistemas, biomas e planetária
        • bem-estar das pessoas e teia da vida são ligados e inseperáveis
        • evitar um ponto de não retorno do sistema hidroclimático ecológico do bioma
    • visões de mundo constrastantes sustena atividades econômicas e interações socioecológicas
      • interesses e valores associados aos recursos naturais como rios, florestas, solo e rica biodiversidade
      • avaliar múltiplas visões e chegar a um acordo

Mudança requer conjunto de soluções viáveis

  • apoiadas por governo, sociedade civil e partes interessadas do setor privado
  • três pilares:
    • promoção da conservação
    • gestão sustenável
    • restauração e remediação dos ecossistemas terrestres e aquáticos
  • estímulo de uma nova sociobioeconomia inclusiva, sustentável e circular, de saudáveis florestas em pé e rios fluindo
    • sociobioeconomias são economias baseadas no uso sustentável e na restauração
    • apoiar o bem-estar e o conhecimento
    • assegurar os direitos dos Povos da Floresta: justiça especialmente para as mulheres e jovens indígenas
    • diversidade biológica e cultural como valores fundamentais
    • combate a pobreza e a desigualdade
    • investimento em ciência, educação, criação de polos transdisciplinares e centros excelência em tecnologia de bioeconomia
    • investir em infraestrutura rural, urbana e peri-urbana que permita que vários grupos se beneficiem das atividades da bioeconomia
    • promover novas regras para um sistema financeiro regenerativo
  • reforço de governança e capacitação das comunidades locais
    • bioregional
    • biodiplomática para promover uma melhor gestão dos recursos naturais e reforçar os direitos humanos e territoriais
    • engajar e consultar os povos indígenas e comunidades locais no planejamento de políticas relativas a arranjos da sociobioeconomia e uso de territórios e recursos naturais
    • promover a inclusão política e a representação dos povos indígenas e comunidades locais no poder legislativo para aumentar a capacidade decisória nas polícias públicas
    • promover a educaçã intercultural, o reconhecimento e o compartilhamento de conhecimentos da ciência e dos povos indígenas e comunidades locais para uma cidadania amazônica crítica
    • valores e princípios opostos/conflitantes impõem barreiras ao estabelecimento de um consenso entre sustentabilidade e a visão compartihada para o futuro da região
      • buscar valores que são fundamentais para sustentar os pilares de uma nova visão de futuro
      • reconhecer e valorizar os direitos dos povos indígenas e comunidades locais, às suas culturas e conhecimentos, tradições e crenças

Na Amazônia, pelo menos metade das florestas em pé estão dentro de áreas formalmente protegidas e a proteção e consolidação desses territórios como pilares da conservação é o primeiro passo para apoiar o bem-estar humano, da natureza e a integridade dos ecossistemas da bacia.

Pacto de conservação e restauração da Amazônia viva

  • abrangente, em todos os países amazônicos
  • apoiado globalmente
  • metas claras
  • critérios regionais para a porcentagem de cobertura florestal que deve ser protegida e restaurada para evitar pontos de não-retorno
  • declaração de estado de emergência
  • um apelo por um cessar fogo de atividades ilegais: garimpo, tráfico de drogas e animais, extração de madeira, grilagem de terras
  • incentivos globais e regionais para conservação, restauração e remediação
  • incentivos financeiros inovadores para conservação e restauração de ecossistemas devem ser acessíveis à população local
  • restauração deve ser considerada parte de uma economia verde que gere benefícios socioeconômicos: empregos, melhor distribuição de renda > contribuir para a mitigação das mudanças climáticas e preservação

Cadeias de valor de 30 produtos da bioeconomia

  • geraram 1,4 bilhão USD em renda em 2019
  • empregaram mais de 220.000 trabalhadores
  • estima-se que o Brasil possa gerar 8,2 bilhoes USD por ano até 2050 em relação às atividades econômicas existentes, investindo em sociobioeconomia

Perguntas:

Leitura:

Capítulo 1: Este capítulo explora como a geodiversidade da Amazônia evoluiu ao longo de mais de três bilhões de anos. Ele mostra como períodos de separação continental seguidos pela formação de montanhas levaram, por fim, a subdivisões fisiográficas fundamentais na Amazônia, bem como a um rico conjunto de paisagens, solos, depósitos de minérios, reservas de petróleo e gás, além de aquíferos de água doce. Dados sobre a geodiversidade da Amazônia apoiam um tema central das ciências ambientais, o de que a formação da maioria dos recursos naturais (como terras-raras, hidrocarbonetos, aquíferos de água doce, e solos férteis) exige que os processos naturais operem sem perturbações durante um imenso período de tempo geológico e através de amplos domínios espaciais.


Sumário executivo: Este relatório é o relatório mais aprofundado e holístico desse tipo sobre a Amazônia. O relatório histórico é sem precedentes pelo seu âmbito científico e geográfico, pela inclusão de cientistas indígenas e pela sua transparência, tendo sido submetido a revisão por pares e consulta pública. Em última análise, o Relatório SPA pode ser visto como a enciclopédia mais abrangente sobre a Amazônia até hoje.

Plano do curso e visão geral de todos os módulos

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