Extensão rural e assistência técnica – introdução

Professora Laiane Bezerra Ribeiro

  • Compreender os principais fatos históricos da construção da extensão rural e como esses contribuíram para a construção de políticas públicas de extensão rural para a agricultura familiar no Brasil.

Modelo Clássico (1948-1956) – Guerra Fria

  • fiscalização de aplicação de crédito rural
  • criada a ACAR – Associações de Crédito e Assistência Rural
  • Cooperação técnica com o governo norte-americano para supostamente levar uma “racionalidade econômica moderna”

Modelo Difusionista-inovador (1956-1967)

  • difundir tecnologia

Modelo de transferência de tecnologias (1968-1978) – Revolução Verde

  • pegar os pacotes tecnológicos da Revolução Verde e reproduzir no país
  • os países capitalistas “desenvolvidos” eram faróis a serem seguidos.
  • no meio rural, coube à extensão rural a tarefa de difundir os elementos de um modelo destinado a modernizar o setor
  • existia um modelo padrão a ser seguido: pacotes tecnológicos com insumos e maquinários que deveriam ser consumidos pelos agricultores
  • desconsiderava-se todos os fatores relativos às especificidades históricas de formação social e cultural
  • No Brasil, a extensão rural nasce marcado pela necessidade de contribuir com a nova ordem mundial, apoiada nos moldes dos EUA, sob o pretexto de acabar com a fome no mundo. Introduzir os gricultores tidos como “atrasados” ao agronegócio. Discurso sobre a importância da modernização agrícola, inserida nas estratégias voltadas à política de instrualização do país. A expansão de mercados e o aumento das exportações traduziam o foco da conjuntura socioeconômica deste contexto histórico.

Se mostrava como um modelo socialmente excludente e ambientalmente inadequado.

Redemocratização do Brasil

  • a extensão volta seus olhos para a agricultura familiar e valorizar os saberes da produção familiar, com uma modificação nessa extensão rural
  • começa a falar de desenvolvimento sustentável
  • ATER passa a ser mais participativa
  • Decreto 91.766/1985, que propôs ações voltadas prioritariamente para os pequenos produtores e assentados rurais, além de novas metodologias de capacitação extensionista.

Década de 90:

  • Collor desmantalemanto da ATER EMBRATER
  • extinção dos órgãos e do c´redito para pequenos produtores
  • as EMATER passam a depender dos governos estaduais e das prefeituras, a quem coube arcar com os recursos financeiros necessários para a manutenção de suas entidaddes de ATER (Caporal, 2014)

Anos 2000:

  • pronaf surge como política pública de desenvolvimento e fortalecimento da agricultura (FHC, 96) e Lumiar (97) para asssentamentos rurais, com gestão participativa e descentralizada
  • surge a CATEGORIA AGRICULTURA FAMILIAR

Primeiras políticas públicas para a agricultura familiar (2006)

  • PNATER

VIRADAS DE PENSAMENTO:

  • 1972 – Primeira conferência das nações unidas sobre o meio ambiente, proposta de um desenvolvimento baseado na sustentabilidade, nao só na economia
  • 1987 – Relatório de Brundtland “Nosso Futuro Comum”: desenvolvimento sustentável é aquele que “atene as necessidades presentes sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades”
  • 1990 – Marco para discussões sobre a conservação de biodiversidade
  • 1992 – RIO-ECO92 Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento

O que é extensão rural?

Paulo Freire (1977) divide em três conceitos: ESTENDER, INSTITUIÇÃO, POLÍTICA.

  • Faz uma crítica a essa ideia de “estender” conhecimento, entendida somente como levar ou transmitir conhecimentos de sua fonte geradora ao receptor final, mas devendo ser percebida como um processo educativo de comunicação, a extensão rural difere conceitualmente da assistência técnica.
  • Faz uma diferenciação entre as diversas “instituições”, como organizações dos pequenos e médios produtores; organizações estatais dos estados, prestadoras dos serviços de ATER, organização pública prestadora de serviços de ATER nos estados
  • E a Política

LEI 12.188/2010 (Brasil, 2010)

A Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) é entendida como o serviço de educação não formal, de caráter continuado, no meio rural, que promove processos de gestão, produção, beneficiamento e comercialização das atividades e dos serviços agropecuários e não agropecuários, inclusive das atividades extrativistas, florestais e artesanais.

Livro Paulo Freire:

Paulo Freire critica o conceito tradicional de “extensão” rural, que ele via como uma prática vertical e impositiva, onde técnicos simplesmente “transferiam” conhecimentos para os agricultores, sem reconhecer o saber popular ou as realidades vividas no campo. Em sua obra “Extensão ou Comunicação?”, Freire propõe substituir a ideia de extensão pelo conceito de comunicação. Ele defendia que o processo deveria ser dialógico, isto é, uma troca de saberes entre técnicos e agricultores, baseada no respeito mútuo e na construção conjunta de conhecimento. Para Freire, o papel do técnico não é ensinar de forma autoritária, mas aprender com o agricultor e ajudá-lo a entender melhor sua própria realidade, fomentando a autonomia e a emancipação das comunidades rurais.

A abordagem freiriana inspira políticas públicas e práticas de ATER mais democráticas, que buscam promover o protagonismo dos agricultores e a sustentabilidade, indo além da mera transferência de tecnologias. A perspectiva de Freire é especialmente importante no contexto da agricultura familiar e das comunidades tradicionais, valorizando suas práticas e saberes locais.

Principais regiões afetadas (Centro-Oeste, Sul e Sudeste).Expansão de monoculturas (soja, milho, trigo, algodão).Uso de pacotes tecnológicos:

  • Sementes híbridas/transgênicas.
  • Agrotóxicos.
  • Máquinas agrícolas.

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