Revisão dos 10 princípios da visão neoclássica

Os “10 princípios da economia” apresentados em aula seguem uma visão neoclássica da economia, alinhada com a lógica neoliberal e capitalista.

1. Tradeoffs:

  • O que ele disse: Escolhas implicam em renúncias.
  • Aprofundando: A ideia de tradeoff é central na economia, pois vivemos em um mundo de recursos escassos. Mas a questão é: quem faz as escolhas e quem arca com as renúncias? A teoria neoclássica assume que indivíduos racionais fazem escolhas maximizadoras. Mas, na realidade, as escolhas são influenciadas por poder, desigualdade social e estruturas de opressão.
    • Exemplo: A escolha entre “tanques ou escolas” implica em quem define as prioridades, quem se beneficia da produção de tanques e quem sofre com a falta de investimento em educação.
    • Contraponto: Economias solidárias e feministas questionam essa lógica individualista e propõem modelos de decisão baseados na cooperação, na justiça social e na sustentabilidade.

2. Custo de Oportunidade:

  • O que ele disse: O custo de algo é aquilo de que você abre mão para obtê-lo.
  • Aprofundando: Essa definição é importante para entender que todo recurso tem um uso alternativo. Mas, novamente, a questão da distribuição de custos e benefícios é crucial.
    • Exemplo: O custo de oportunidade de construir uma hidrelétrica pode incluir a perda de terras indígenas, a destruição de ecossistemas e o deslocamento de comunidades. Quem arca com esses custos?
    • Contraponto: A economia ecológica propõe a internalização dos custos ambientais e sociais na tomada de decisão, para que os preços reflitam o impacto real das atividades econômicas.

3. Pessoas Racionais Pensam na Margem:

  • O que ele disse: Decisões são tomadas avaliando pequenos incrementos de custo e benefício.
  • Aprofundando: A teoria neoclássica assume que os indivíduos agem racionalmente, buscando maximizar seus ganhos. Mas a psicologia comportamental mostra que as pessoas são influenciadas por emoções, vieses cognitivos e normas sociais.
    • Exemplo: O consumo impulsivo, a procrastinação e a aversão ao risco são exemplos de como as pessoas se desviam do modelo de racionalidade perfeita.
    • Contraponto: A economia comportamental busca incorporar aspectos psicológicos na análise econômica, para entender como as pessoas realmente tomam decisões.

4. As Pessoas Reagem a Incentivos:

  • O que ele disse: Indivíduos comparam custos e benefícios.
  • Aprofundando: É verdade que incentivos influenciam o comportamento. Mas que tipo de incentivos são promovidos em uma sociedade capitalista? Muitas vezes, incentivos materiais e financeiros se sobrepõem a valores como solidariedade, justiça e bem-estar coletivo.
    • Exemplo: A lógica do lucro pode levar empresas a poluir o meio ambiente, explorar trabalhadores e burlar leis, se os incentivos para tais práticas forem maiores que as punições.
    • Contraponto: É preciso questionar que tipo de sociedade queremos construir e que incentivos queremos promover. Podemos incentivar a cooperação, a inovação social e a sustentabilidade?

5. Comércio Pode Ser Bom para Todos:

  • O que ele disse: O comércio gera ganhos para todos os envolvidos.
  • Aprofundando: A teoria das vantagens comparativas argumenta que o comércio internacional beneficia todos os países. Mas essa teoria ignora as relações de poder entre países, a exploração de mão de obra barata e a degradação ambiental.
    • Exemplo: Países ricos podem ditar os termos de troca, impondo preços baixos para produtos agrícolas de países em desenvolvimento e protegendo suas indústrias com barreiras comerciais.
    • Contraponto: É preciso considerar os impactos sociais e ambientais do comércio internacional e buscar relações comerciais mais justas e equitativas.

6. Mercados São Geralmente uma Boa Maneira de Organizar a Atividade Econômica:

  • O que ele disse: A competição no livre mercado promove o bem-estar.
  • Aprofundando: A teoria neoclássica defende a “mão invisível” do mercado, que alocaria recursos de forma eficiente. Mas a realidade mostra que o mercado é permeado por falhas, como monopólios, informação assimétrica e externalidades.
    • Exemplo: Grandes empresas podem dominar o mercado, eliminando a concorrência e ditando preços. A falta de acesso à informação pode levar a decisões prejudiciais para os consumidores.
    • Contraponto: A regulação estatal é fundamental para corrigir as falhas de mercado, promover a concorrência, proteger os consumidores e garantir o interesse público.

7. Às Vezes, os Governos Podem Melhorar os Resultados do Mercado:

  • O que ele disse: O governo deve atuar em casos de externalidades e poder de mercado.
  • Aprofundando: A intervenção estatal é vista como uma exceção na lógica neoliberal. Mas a história mostra que o Estado teve papel fundamental no desenvolvimento econômico e social, investindo em infraestrutura, educação, saúde e proteção social.
    • Exemplo: O SUS, as universidades públicas e o sistema previdenciário são exemplos de políticas públicas que garantem direitos e promovem o bem-estar social.
    • Contraponto: É preciso defender o papel do Estado na promoção da justiça social, na proteção ambiental e na garantia de direitos.

8. Padrão de Vida de um País Depende de sua Capacidade de Produzir Bens e Serviços:

  • O que ele disse: Produtividade é a chave para o crescimento econômico.
  • Aprofundando: A produtividade é importante, mas não é o único fator determinante do padrão de vida. A distribuição de renda, o acesso a serviços públicos e a qualidade do meio ambiente também são cruciais.
    • Exemplo: Países com alta produtividade podem ter desigualdade social extrema, com concentração de renda nas mãos de uma minoria.
    • Contraponto: É preciso buscar um modelo de desenvolvimento que, além de produtividade, promova justiça social e sustentabilidade ambiental.

9. Os Preços Sobem Quando o Governo Emite Moeda Demais:

  • O que ele disse: Inflação é causada pelo excesso de moeda na economia.
  • Aprofundando: A teoria monetarista simplifica a questão da inflação. Outros fatores, como a demanda por produtos, o aumento dos custos de produção e a indexação da economia, também influenciam os preços.
    • Exemplo: Choques de oferta, como a crise do petróleo, podem gerar inflação mesmo sem aumento da quantidade de moeda em circulação.
    • Contraponto: É preciso analisar as causas da inflação de forma mais abrangente, considerando fatores estruturais da economia.

10. A Sociedade Enfrenta um Tradeoff de Curto Prazo entre Inflação e Desemprego:

  • O que ele disse: Combater a inflação gera desemprego.
  • Aprofundando: A curva de Phillips descreve essa relação, mas ela tem sido questionada em diversos momentos históricos. Políticas que combinam controle da inflação com geração de empregos são possíveis.
    • Exemplo: Políticas de investimento público em infraestrutura e educação podem gerar empregos e estimular o crescimento econômico, sem necessariamente causar inflação.
    • Contraponto: É preciso buscar alternativas para além da lógica do “tradeoff”, combinando políticas macroeconômicas que promovam o crescimento, o emprego e a justiça social.

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