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Dioteryx odorata
A espécie Dipteryx odorata (Aubl.) Willd, popularmente conhecida como cumaru, pertence ao grupo das Dipteryxeae, da família Fabaceae. É uma espécie arbórea de grande porte, atingindo até 40m de altura na fase adulta, originária de países da América Central e América do Sul, com ocorrência natural em toda floresta primária amazônica (EMBRAPA, 2004). Sua floração ocorre na estação seca (junho a novembro) e transição seca para a chuvosa (PINTO et al, 2008).    Sua madeira é pesada e resistente, indicada em construção civil e de móveis para uso externo (CARVALHO, 2009). Suas sementes, conhecidas como “fava de Tonka”, produzem um óleo, cumarina (anidrido cumarínico), usado na indústria de cosmética, farmacêutica e setor terapêutico (SILVA, 2018), assim como alimentício (KINUPP et al., 2014).  Dadas as suas qualidades, a espécie apresenta grande potencial econômico, madeireiro e não madeireiro. No uso não madereiro, é uma espécie relevante para a bioeconomia sem desmatamento na Amazônia frente aos desafios postos com a crise climática (ECURU, 2022; RÊGO et al., 2016). Sua semente tem tido grande valorização mundial e custa em torno de R$ 45,00/kg, contribuindo para geração de renda de agricultores familiares e extrativistas no Baixo Tapajós (SILVA, 2018), a principal região produtora de semente de cumaru, com produção em 2014 de 103 toneladas (RÊGO et al., 2016). A espécie também é considerada uma excelente opção para projetos de reflorestamento ou de plantios agroflorestais (SAFs) devido à rápida germinação, frutificação precoce e por ser propícia para o plantio tanto em pleno sol, quanto em sombra parcial (CARVALHO, 2009). Estudo mostrou que as mudas de cumaru em viveiro apresentam rápido crescimento inicial atingindo até 30cm em 3 meses, aumentando as chances de se estabelecerem no campo (UCHIDA, 2000). No entanto, falta pesquisa sobre as principais doenças que acometem sementes de Dipteryx odorata e de outras espécies florestais.  Em florestas, o cumaru é uma espécie que apresenta micorrizas nas raízes, com até 56% de  infecção de fungos numa associação simbiótica (BONETTI et al., 1984). Saiba mais: BONETTI, Roberto et al. População de Rhizobium spp. e ocorrência de micorriza V.A. em cultivos de essências florestais. Pesquisa Agropecuária Brasileira, v.19, p.137-142, 1984. Disponível em: https://seer.sct.embrapa.br/index.php/pab/article/view/17497. Acesso em: 18/11/2023.   CARVALHO, Paulo Ernani Ramalho. Cumaru-Ferro - Dipteryx odorata. Embrapa Florestas. Comunicado técnico, 225. Colombo: Embrapa Florestas, 2009, 8 páginas. Disponível em: http://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/handle/doc/578657. Acesso em: 15/11/2023.   DIAS, Jurema S. A. Potencial anti-fúngico dos óleos fixos de Copaifera sp., Carapa guianensis Aubl. e Dipteryx odorata (Aubl.) Willd. 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Características

Vulgarmente cumaru, cumarú verdadeiro, muimapagé, tonka
Divisão Magnoliophyta (Angiospermae)
Classe Magnoliopsida (Dicotiledonae)
Ordem Fabales
Subfamília Fabaceae
Gênero Dipteryx
Porte árvore
Altura 30-40 m
Cor do cerne marrom (acinzentado ou amarelado); de cor uniforme
Fruto fruto é uma vagem drupácea, monospérmica, com polpa fibrosa e esponjosa, comestível. A semente desse fruto, conhecida como fava-de-cumaru [3] ou fava tonka contém cumarina, substância dotada de vários usos medicinais e também usada em perfumaria como um sucedâneo da baunilha para aromatizar tabaco e rapé e para extração de óleo.
Grã fortemente entrecruzada
Textura média
Figura tangencial, causada pelas linhas vasculares
Brilho ausente
Madeira pesada